terça-feira, 26 de junho de 2012

O fim do princípio do Fim

E aqui começa a jornada.

Uma jornada pelo mundo da morte, do asco e da misantropia.

Estou iniciando este blog para descrever os processos de criação, imaginação, pesquisa e filosofia por trás do filme Abracadaver, da nova fase da ETOMA filmes e de seu criador, Fritz P. Hyde, este amontoado de tripas e órgãos fedorentos, barulhentos e gosmentos que tem a cara-de-pau de postar nestas linhas, muitas vezes em terceira pessoa.

Antes de falar um pouco mais sobre minhas segundas intenções (tão perversas), gostaia de extender um pouco um texto que publiquei a pouquíssimo tempo em meu perfil oficial do Facebook:

-Eu não sou um cineasta, tampouco um videomaker ou isso aí que você em sua medíocridade chama de "artista".

De fato, encaro-me mais como um cientista louco, em seu laboratório obscuro, praticando pseudo-cinência, pseudo-arte, pseudo-filosofia em nome de um mal maior para a humanidade. E aqui estou, destrinchando, inventando, destruíndo e dissecando corpos cinematográficos em busca da fórmula da vida eterna, seja ela obtivada através do êxito ou do asco.

Daqui para a frente renego o cinema "para agradar". Abandono a jornada do cineasta que busca atingir este ou aquele público. Oras! O público está aí! Façamos filmes para nós mesmos, façamos obras que nos façam melar nossas calças com o orgasmo egoísta ou com o vômito de outrem, mas façamos para nós, não para o público. O filme sendo expelido da boceta da produção torna-se uma entidade viva e incontrolável.

O público te encontrará! Seja este público de intelectuais ou de psicopatas que se identificam com teu trabalho, não se preocupe pois ele estará lá.

Na contramão de muitos colegas do underground nacional, a ETOMA toma a partir deste momento um rumo muito mais escatológico e cizento, com gosto de asfalto e água de enchente. Com sabor de crack e cheiro de miasma, continuando sempre mais pungente, extremo e purulento.

Deixarei a beleza e a técnica aos cineastas e aos técnicos, comigo é a sujeira, a podridão e o mau-gosto transformado em algo que ouso chamar de arte, mesmo que esta arte seja pintada com merda e necrochorume.

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