terça-feira, 26 de junho de 2012

Introdução ao Kinochorume

O cinema brasileiro encontra-se moribundo.

A arte tornou-se publicidade, não há cinema.

Nossos filmes são grandes peças de merchandising construídos para destituir o público do senso crítico e criar novas e iventivas maneiras de vender, vender e vender, afinal seu patrocinadores cobram caro pelo apoio oferecido.

Grandes filmes jamais saem do papel, enquanto peças medíocres de folhetins abestalhados e novelas disfarçadas de dramas sociais ganham as grandes telas através de diretores de muito ego, pouca inspiração e mamadores das tetas de nossos governantes que detestam filmes populares, gêneros e tudo que fuja de sua pomposa visão da arte tropicalista tupiniquim comedora de McDonalds que tornou-se nosso tão adorado e putrefato país.

Nosso cinema encontra-se com uma imensa pústula que vaza espalhando odores acres e irremediávelmente a sétima arte nacional ruma para o túmulo, produzindo mais e mais necrochorume para poluir nossos lençóis freáticos e tornando a todos nós doentes dependentes de obras globais tão densas quanto um ovo de páscoa.

Desse cadáver peço que manifestem-se os vermes! Peguem suas câmeras e comecem a produzir. Que do Chorume se ergam odores de um cinema pungente e escatológico. Que ele invada as narinas da sociedade podre, cada vez mais politicamente correta e coloque merda eu suas refeições cheias de pompas.

Pobre daquele que faz seus filmes para agradar este ou aquele público.

Pobre daquele que espera uma esmola em troca de um sorriso.

Nosso moribundo cinema, nossa moribunda arte está sendo substituída pela bunda. Louvemos a bunda, a mãe do cinema de chorume, a mãe da escatologia, a fonte do sexo e da merda. Ave Bunda!

E o Kinochorume sai do cu deste cinema bundesco que permeia a produção nacional, dos grandes estúdios não queremos nada, para eles oferecemos nosso flato!

O Kinochorume vem da magia teatral de Meliés, do cine-transe de Jean Rouch, da independência e cinismo de Kauffman, da crítica e quebra de paradigmas do cinema marginal, um cinema verdade da mentira nacional.

O kinochorume não busca nenhuma ideologia, não busca mudar o mundo.

Nós, do Kinochorume, buscamos mostrar o mundo como ele realmentre é, uma hypervisão da realidade banal. Dos odores à manifestação da biologia humana; do sexo fedido e cheio de mucos ruidodos; das pessoas feias e belas. Os belos também cagam.

O Kinochorume vem para vomitar o terror do banal na cara da sociedade que anda por aí com antolhos de grife.

Se um humano vomitar num cinema onde Kinochorume for exibido, podemos considerar nossa arte como plena.

Sejamos além da marginalidade do cinema, além do subterrâneo.

Sejamos o chorume em seu estado mais bruto, onde a realidade e ficção, a beleza e o nojo misturam-se de maneira lógica e atéia, crítica e imoral/moral. Viva e ainda assim morta.

Sejamos o suco putrefato do cinema.
Um brinde à nossa urina!

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